Junta Freguesia de Melres

Para a visualização das imagens em slideshow necessita do Flash Player v.9 instalado no seu computador.

Conflitos Armados - Guerras


Identidade Territorial de Melres


Carta da Villa Mellares

Carta de Villa Mellares

Tradução da carta

“Em nome do Senhor. Eu Ramiro, príncipe por vontade de Deus”.
“Por minha devoção desejo confessar diante da multidão dos santos da minha especial predilecção e de todos os católicos que devemos sempre recordar e impetrar o piedoso Criador dos corações limpos o qual, como verdadeiro e único Deus, brilhe por toda a parte com resplandecente luz e de boa mente e com benigno olhar acrescente o que realizamos ou desejamos realizar”.
“Por isso, a respeito do que começamos não se deve falar de mais para não causar desdém nos ouvintes, mas referir em poucas palavras claras o que realmente se fez. Dizer pouco do muito para que tudo se torne crível nos corações de quem ouve e para que as dificuldades que houve no principio, persistiram no meio e puderam ainda manter-se no fim, sejam por último vencidas”.
“Depois, em nome do Senhor Crucificado, filho de Deus em quem vive inseparavelmente unida a verdadeira e imaculada Trindade, Deus e Homem com o Espirito Santo, não diferentemente Deus e Homem, mas um só Deus e Homem Jesus Cristo, medianeiro entre Deus e os homens, igual ao Pai segundo a divindade e menor que o Pai segundo a humanidade, que é luz verdadeira que ilumina este mundo sobre o qual, Ele se manifestou incarnando e de quem o profeta inspirado se alegrava, quando dizia; - Foi assinalada sobre nós uma luz com teu aspecto, Senhor!”
“Reconhecendo-Te, Senhor, como Criador de tantas maravilhas, eu servo Ramiro, por Tua disposição posto à frente deste reino, resolvi da nossa magnificência doar, neste lugar de S. Salvador e de Santa Maria sempre Virgem de Guimarães, para te pertencer a ti, nossa irmã Mumadona, a nossa própria Vila de Melres que está junto ao rio Douro, com suas pertenças, aldeias ou granjas, pelos termos antigos, de ambas as margens do Douro”.
“Concedo-vo-la para fruição dos próprios frades e freiras que sob o vosso governo servem a Deus no mesmo lugar de Guimarães, para que a possuais como a possuíram os nossos pais e avós”.
“Assim fique esta nossa doação a pertencer de hoje em diante ao mosteiro de Guimarães e à nossa irmã Mumadona para que a possuam integra e inviolada com todos os rendimentos que lhe pertencem. Que esta dádiva nos sirva a nós de perdão dos nossos pecados e a vós vos ajude a sustentar os hóspedes, os peregrinos que aí se acolherem e os pobres de Guimarães que em santa vida perseverarem, de modo que a vossa memória aí fique sempre lembrada”.
“Advertimos, pois, e imploramos a quem for da nossa descendência e necessariamente da nossa fé, que pela cruz do Senhor, por cuja paixão e ressurreição fomos reunidos, nenhum tente quebrar em nada os nossos votos nem ouse alterá-lo ou infringi-los. Mas se alguém, temerário e audaz, quiser vir quebrá-los, sofra nesta vida o castigo humano e na futura, depois da morte, padeça com os transgressores a pena merecida”.
“Assim permaneça firme e estável por todos os séculos esta nossa doação”.
“Feito este exemplar de testamento no dia 17 de Maio de 951, da era de Cristo”.
“Eu Ramiro, sereníssimo príncipe, concedo-te este testamento a ti irmã Mumadona, feito e confirmado por nós”.

«Seguem-se várias assinaturas que pouco interessam e por isso omitimos. O documento está datado à maneira romana e segundo a era de César. Mas simplificou-se tudo, empregando a nossa maneira de datar».

Este testamento só diz que a Vila se estendia pelos termos antigos, que eram os limites que os Romanos lhe fixaram. Todavia, essas extremas, são-nos indicadas por um outro documento de 1049, também extraído do livro de Mumadona, que apenas se transcreve a tradução, na parte que nos interessa. Reza assim:


Inventário de todas as herdades e igrejas de Guimarães

“Na era de 1049, reinando o príncipe Fernando, rei, e sua esposa, a rainha D. Sancha.....
.....
“E entre o rio Douro e Aguiar, a vila de Melres toda com suas pertenças, tanto desta como da outra margem do Douro com a igreja de Santa Maria sempre virgem e de S. Veríssimo, pelos seus antigos limites e com todos os seus rendimentos”.
“Delimita-se a mesma vila pelo monte Agudo até ao monte da Pedra Talhada, entre Cabroelo e Melres e, passando por Rio Mau, atravessa o rio Douro e inclui as pesqueiras junto à igreja de Santa Eulália; segue até ao monte da Meda, entre Fermedo e Melres e daí inflecte para o lugar Chamado Lavercos, do qual é nossa a metade completa, dirige-se depois à pesqueira do Abade, cuja metade também nos pertence; abrange ambas as margens do rio Inha e continua para a margem direita do Douro, entre Sobrido e as Medas; segue depois para a Portela, entre Vila Cova e Melres, avança até Carrazedo e termina no Monte Agudo, onde começamos”.
“Ficam ainda fora destes limites outros lugares que à mesma Vila pertencem. Assim de Vilar Longo temos a quarta parte e o lugar de Brandião com as suas pesqueiras e igrejas e com todas as suas prestações, tais quais nos pertence a terça parte completa”.
“Isto que atrás se menciona, como diz o testamento do rei D. Ramiro e as escrituras posteriores, pertence ao convento de Guimarães e assim deve continuar”.


Nota: Como os documentos originais, estão escritos num estilo empolado do latim bárbaro e arrevesado da Idade Média, foram traduzidos pelo f. Dr. Albino Santos, de uma forma um tanto livre.
Portanto limitamo-nos aqui a reproduzir e transcrever tais traduções, tal como foram feitas.




Galeria

Junta de Freguesia de Melres
Rua Padre Jerónimo, 100
4515-552 MELRES - GONDOMAR

tel: 224760275
fax: 224760334
JF-Melres.com - Desenvolvido por xsize | Conteúdos de Joaquim Mendes
2010 © Todos os direitos reservados | Mapa do site