Na história militar de Portugal houve várias guerras, com implicações para Melres e para os seus habitantes.
Existiram situações em que alguns Melrenses, foram chamados a cumprir o seu dever patriótico; outros casos houve, em que os acontecimentos, ocorreram aqui, com implicação nas suas gentes, sujeitas a necessidades e sa...
É sempre difícil precisar a origem de um determinado território e definir a sua cultura primitiva. Quanto mais longínquo pretendemos chegar no tempo, mais carregado de incertezas será o resultado e frágil o conteúdo de qualquer tese que se apresente.
Pelos vestígios, achados, estudos e correlações com os nossos vizinhos, podemos aferir de determinadas suposições ...
Conjunto de propriedades aforadas e descritas numa escritura de emprazamento. Do latim casale -, «quinta, fazenda, granja, herdade, lugarejo». Seria uma propriedade rústica, administrada por uma determinada família (marido, mulher e filhos se os houvesse).
Para melhor compreensão das pessoas contemporâneas, seria aquilo que designamos por uma casa de lavoura, com os respectivos bens e propriedades que lhe estavam associadas ou vinculadas.
Em 1401 o Rei D. João I, para gratificar Diogo Gonçalves Peixoto (filho), pelo modo como o serviu nas Guerras contra Henrique II de Castela, dá-lhe o Senhorio dos Casais de Melres (cede-lhe os direitos reais sobre Melres).
Diogo Gonçalves Peixoto – Fidalgo da Casa do Infante D. Henrique e del – rei D. João Primeiro, senhor das terras de Travassos e Maia, que tinham sido de Gil Vaz da Cunha, que vindo de Castela para este Reino, lhas tornou a restituir el-rei – D. João I, doando-lhe em satisfação delas as terras, reguengos e direitos Reais do Concelho de Penafiel do Sousa, de juro e herdade na forma de mercê que tinha das terras da Maia, como se vê no livro primeiro dos Registos das Confirmações da Comarca do Douro folha 74...
João Peixoto – A quem chamaram o da Calçada, filho mais velho de Diogo Gonçalves Peixoto, foi o segundo senhor, e donatário das terras e reguengos de Penafiel do Sousa, Casais de Melres, e da honra de Canelas...
Duarte Peixoto de Azevedo (e Sousa) – Foi o terceiro senhor donatário das terras e reguengos de Penafiel do Sousa, e dos direitos reais dela, dos casaes de Melres e da honra de Canelas, dos Concelhos dos Reis. D. João III e D. Manuel, que lhe deu foral para as ditas terras no ano de 1519.
No caso concreto de Melres, o Foral é de 15 de Setembro de 1514, e neste foral recordemos a passagem que se refere a Duarte Peixoto:
- «E há mais na dita terra quintas que pagam foros sabidos e a saber, a de Santiago que paga de foro sem outro terço, nem quarto, mil e oitenta Reais e outros tantos paga a Duarte Peixoto. E a quinta da Sovereira paga outros mil e oitenta Reais...
... E esta terra de Merles tem terras anexas a ela e ao Senhorio dos direitos Reais dela em ambas as partes do Douro de aquém e de além...»
Lopo Peixoto de Mello – Filho mais velho do primeiro matrimónio de Duarte Peixoto, foi o quarto senhor dos casais de Melres,...
Pedro Peixoto da Silva – Filho mais velho do segundo matrimónio de Duarte Peixoto de Azevedo, foi o quinto senhor dos casais de Melres e...
Manuel Peixoto da Silva – Foi o sexto senhor com todos os direitos que tiveram os anteriores.
Pedro Peixoto da Silva – Que foi o sétimo senhor dos direitos reais, serviu ainda na Guerra da Restauração.
Manuel Peixoto da Silva – Que morreu moço, sem ter casado, por cuja causa passou a casa e Morgados a Gonçalo Peixoto da Silva Macedo e Carvalho, seu primo e co-irmão, por ser filho de D. Guiomar da Silva; filha de Manuel Peixoto da Silva e de D. Isabel de Macedo, a qual casou com Fernão Rebelo.
Gonçalo Peixoto da Silva Almeida Macedo e Carvalho – Foi o nono senhor dos casais de Melres, de todos os direitos reais, morgados, etc. ...
João Peixoto da Silva Almeida Macedo de Carvalho – É o décimo senhor de todos os direitos, inclusive donatário dos casaes de Melres.
Gonçalo Tomás Peixoto da Silva Almeida e Carvalho – Que sucedeu em tudo a seu pai, casou com D. Maria da Piedade.
Gonçalo Manuel Peixoto da Silva Almeida Macedo e Carvalho – Que sucedeu na Casa e Morgados de seu pai. Também foi senhor dos casais de Melres.
João Peixoto da Silva Almeida Macedo e Carvalho – Foi Fidalgo Cavaleiro da Casa Real... continuou a sucessão do senhorio dos casais de Melres e Honra de Canelas, entre muitas outras mercês. Em 1863 foi feito Visconde do Lindoso, em 1887 elevado a Conde e em 1898 a Marquês.
Gaspar Tomás Peixoto da Silva Bourbon – Embora filho segundo, foi quem sucedeu a seu pai (porque o irmão morreu solteiro), e casou com D. Amélia Augusta Baptista Sampaio... Foi o último senhor dos casais de Melres.
Em Agosto de 1832, publicou-se um decreto, que declarava livres todas as terras da Coroa. Acabando assim todos os direitos reais, que tinham sobre os casais de Melres e outros quaisquer.
COELHO, M. F. (1979). Paço de Sousa. Miscelânea Histórica e Etnográfica.
COSTA, A. C.(1868). Corografia Portuguesa e Descrição Topográfica. Tipografia de Domingos Gonçalves Gouveia. Braga.
Autoria de: Joaquim Gonçalves Mendes