Na história militar de Portugal houve várias guerras, com implicações para Melres e para os seus habitantes.
Existiram situações em que alguns Melrenses, foram chamados a cumprir o seu dever patriótico; outros casos houve, em que os acontecimentos, ocorreram aqui, com implicação nas suas gentes, sujeitas a necessidades e sa...
É sempre difícil precisar a origem de um determinado território e definir a sua cultura primitiva. Quanto mais longínquo pretendemos chegar no tempo, mais carregado de incertezas será o resultado e frágil o conteúdo de qualquer tese que se apresente.
Pelos vestígios, achados, estudos e correlações com os nossos vizinhos, podemos aferir de determinadas suposições ...
Existem várias teses para explicar a origem etimológica da palavra Melres. Contudo aquela que mais consenso reúne e que mais consistência ganhou, é que inicialmente o termo latino, que aparece nos documentos medievais é Mellares, o qual foi evoluindo até surgir Melres.
Este termo Mellares significa terras de mel, e por essa razão podemos depreender que este território seria um grande centro de Apicultura – cabaça ou sede – até porque Melres tem uma extensa floresta, com muitos sobreiros que forneciam a cortiça para a sua cultura e particularmente uma grande encosta voltada ao Sul. Nos dias de hoje esta actividade parece mais descentralizada, talvez devido ao processo mais industrializado de produção e ao seu comércio (Apicomércio).
Sabe-se que já antes dos Celtas, esta região era habitada talvez atraídos pela sua riqueza, beleza, fertilidade e como prova temos a Mamoa de Brandião aqui vizinha, bem como outros elementos Megalíticos e depois as fortificações Castrejas.
Em termos Peninsulares, os Galaicos ocuparam o território desde o Rio Douro ao Mar Cantábrico, Região esta que chamaram Galécia, e que apesar das transformações que sofreu deu origem à Galiza.
Também se sabe que a Galécia, acaba por ser invadida pelos Generais Romanos, o que leva naturalmente a Melres ficar sob o domínio deste povo. Os elementos que comprovam esta realidade, são uma Ara Romana que existe no Adro da Igreja Matriz, alguns capitéis, pedaços de colunas e a calçada Romana que existia desde o ribeiro de Mirões, inflectindo no sentido Norte até à actual rua da Ribeira (junto da sede social da Banda Musical de Melres).
É neste período dos Romanos que se funda aqui uma grande Quinta ou Villa Agrária, que se estende de Cabroelo (freguesia da Capela), até Lavercos (actual freguesia da Lomba), passa por Rio-Mau e Pedorido, vai ao Monte Meda e desce ao rio Inha, da foz deste rio atravessa o rio Douro, segue pelo meio da encosta da sua margem direita até perto de Sobrido, inflecte para poente e sobe ao cume da serra dos Açores, até Brandião (freguesia de Aguiar de Sousa), donde transpõe a serra do Padrão e vai dar ao ponto de partida (Albino Santos).
Também é esta Villa Agrária que vai servir para definir os limites territoriais do legado que a Condessa Mumadona Dias vai receber do Rei Ramiro II (ano de 951).
Nas inquirições de D. Afonso III (em 1258), também se faz novamente referência aos limites de Melres, que mais ou menos correspondem aos limites já descritos, com a variação de alguns pontos de referência novos.
Mais tarde (em 1369) estes limites, vão servir para estabelecerem o termo da Cidade do Porto que D. Fernando I ordenou, e para os quais foram implantados marcos, que ainda hoje existem.
Estes limites traçados no período medieval, atravessaram os tempos e com pequenas nuances nalguns pontos, correspondem na actualidade à freguesia da Lomba, e à freguesia de Melres, pese embora, com incongruências grosseiras por falta de trabalho de campo, no que concerne aos limites a Nascente desta Vila.
Como se pode depreender as terras de Melres, tiveram vários Donatários, com privilégios diversificados, foi elevada a Vila e constituído o Concelho de Melres, que recebeu Carta de Foral a 15 de Setembro de 1514 (livro forais novos da Beira).
O Concelho de Melres, como podemos verificar na Carta de Foral, continuava a abranger um território em ambas as margens do rio Douro – o que actualmente corresponde às freguesias de Melres e da Lomba – o que também explica o facto da Lomba pertencer ao Concelho de Gondomar, apesar de estar na outra margem do rio. E é precisamente por a Lomba representar quase metade do território de Melres (naquela altura), estar a Sul do rio Douro, os Donatários de Melres (serem também senhores de Cantanhede); ou seja, estarem localizados na Região da Beira Litoral, que o nosso Foral (foral de Melres) está registado no livro dos forais novos da BEIRA.
A própria Paróquia da Lomba foi sempre anexa de Melres (era um curato, em que o Padroeiro era o Abade de Melres), portanto esteve sempre ligada à Vila de Melres, e tornou-se freguesia própria/autónoma, a partir de 1807.
O poder local (Municipal) em Melres, até 1834, era exercido por um, Juiz Ordinário – o qual podia usar como insígnia a vara vermelha, porque era eleito pelos homens qualificados da Comunidade local e confirmados pelo Ouvidor. Este Juiz julgava/entendia das coisas do cível, do crime e dos órfãos. No entanto os Juizes de Fora, usavam vara branca, sinal de distinção régia.
O Juiz a nível da Câmara também era auxiliado por Vereadores (provavelmente dois), um Procurador e um Tesoureiro.
Também tínhamos a figura ou cargo de Ouvidor, como já se referiu – O Ouvidor do Marquês de Marialva, o qual conhecia e analisava os pedidos e apelações e que neste caso concreto usava vara Branca (Ouvidor de vara branca) – (o Marquês de Marialva, como donatário da Vila, tinha direito a administrar a terra, a nomear o Ouvidor e apresentar os Tabeliães).
Outra das figuras ou magistrados do Rei, era o Mordomo, que tinha a função de receber e acautelar os tributos reais, tais como os foros dos reguengos, as sisas e redizimas, as portagens. O Mordomo do Rei, aqui neste caso era o senhor dos casais (casaes) de Melres, porque desde D. João I, que lhe foram atribuídos ou doados os direitos reais.
Outros elementos da Autonomia Municipal, para além do Edifício da Câmara (Paços do Concelho), a Tesouraria, era o direito de levantar ou erguer Pelourinho, o qual durou até pelo menos à revolta dos Liberais.
Efectivamente há muitos aspectos que não são aflorados num resumo histórico, mas um facto que não se podia olvidar, foi o da nobreza local de Melres, na Guerra Civil Portuguesa de (1828-1834), ter tomado partido de D. Miguel I e apoiado o Absolutismo.
Como se sabe D. Miguel perdeu a Guerra e ao triunfarem os Liberais, os nobres abandonaram Melres. É ainda nomeado um Provedor para o Concelho de Melres, par administrar as Finanças locais, mas com a reforma de Mouzinho da Silveira (em 1834), é publicado um decreto que extingue o Concelho de Melres.
Independentemente das variações ocorridas, em 1868, Melres é incorporado como uma das Freguesias que constituem o concelho de Gondomar.
Apesar desta sua mais modesta condição, ainda vai ter um papel importante e de destaque a nível Municipal, aquando da transição da Monarquia para a Republica; na Primeira Guerra Mundial, com uma presença percentual significativa e na Guerra Colonial.
Outros considerandos que não podemos escamotear, e que até nos enchem de orgulho, aconteceram no virar do século. Precisamente no fim do século XX, foi possível ampliar e reformular a Igreja Matriz e ainda a construção de um Quartel para os Bombeiros Voluntários de Melres.
Já no início deste século XXI, a Junta de Freguesia da Vila de Melres, recebe uma casa nobre recuperada (o Solar da Bandeirinha), para lhe servir como edifício sede; bem como, foi construído o centro cultural da Banda Musical de Melres.
Todos estes equipamentos e melhoramentos que foram surgindo, a par da beleza paisagística de Melres, fazem desta Vila um polo de afirmação a nível local e Regional.
Ligações externas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Melres
Bibliografia
CHAVES, A.; MAGALHÃES, E. (1999). GONDOMAR, Um Coração Rendilhado. Gondomar: Edições Livro Branco. L.da.
Oliveira, C. (1934). O Concelho de Gondomar (apontamentos Monográficos). Porto: Imprensa Moderna, L.da.
Portugaliae Monumenta Histórica. Diplomata et Chartae, Vol.I, pág. 22 e pág. 261. Lisboa, Academia das Ciências.
Portuense (anónimo) (1840). O Cerco do Porto. Porto: Tipografia de Faria & Silva.
Santos, A. (s/d). Subsídios para uma monografia de Melres. Manuscrito.
Trabalho de recolha e compilação, de autoria de Joaquim Gonçalves Mendes – Secretário da Junta de Freguesia de Melres.